Encontro das Sextas, Sexo, Amor & Crônicas

SURTO

Vai embora daqui, da minha vida. Não suporto mais essa tua mania de não querer me querer. Me larga, me solta, não toca em mim. Não finja que se preocupa. Você não se importa com meu choro. Está com a consciência pesada e quer tornar tudo isso o menos dolorido possível para que você possa dormir direito, acompanhado de uma missão cumprida.

Vai embora, vai. Estou abrindo a porta da sala e fechando a do meu coração. Vai doer, eu sei, mas não sou mulher pra receber consolação como prêmio pelo que eu nunca conquistei. Não me alimento com sobras e você me tirou o prato principal faz tempo. Não faz essa cara de quem se arrepende de ter me enganado, essa cara de quem não consegue mentir nem pra si mesmo.

Posso estar aqui dilacerada, em busca do meu próprio amor – porque o amor próprio já se foi pra algum lugar que eu desconheço – mas eu jamais vou conseguir ter a falsidade de inventar uma paixão. Você é patético. Sai, não me abraça, não pense que vai me convencer com tudo aquilo que me cativou. Pelo contrário, você conseguiu me mostrar o que eu mais detesto em um homem: mentiras e covardia. Você é um fraco e sem a nobreza da fraqueza. Um homem fraco é aquele que não enfrenta seus medos por medo de arriscar, que tem medo de si próprio, medo dos outros, medo do mundo. Medo de ser fraco. Fraco!

Para, para, não vou escutar esse papo de que vai ser diferente. No fundo você está tentando tornar as coisas mais difíceis para depois me jogar na cara que tentou. Nem você acredita nesse discurso de ladrão de galinhas. Vai me dizer que não vai voltar pra ela de novo. Aquela mesma mulher que já te deixou quando você mais precisou e eu, burra, estava lá, segurando as pontas e o teu corpo para não cair. Mas agora entendi, certamente vocês combinam. As caras lavadas são as mesmas e feitas de pau.

Vai embora daqui, nada que você me diga fará eu mudar de ideia, eu preciso muito te odiar nesse momento, para me amar um pouco mais. Sai e leva os Cds contigo, teu moletom que uso como pijama, a caneca, teu desodorante, tua vida, minha alma. Leva tudo embora, você estragou tudo. Eu achei que ia dar certo, mas você parece ter o dom de me magoar. Vai embora, vá pra longe, carrega tua máscara pra bem distante do meu salão de festas. Eu odeio fantasias mesmo.

Ah, você não vai sair? Tá bom, então quem sai sou eu. Quando voltar, tenha um pouco de dignidade e suma, nos devolva um pouco de paz. Se puder, lava a louça e tira o lixo. Sim, eu sou assim, estouro, xingo, esbravejo e te mato dentro de mim. Não esteja aqui quando eu voltar. Estarei refeita e serei cruel.

Fuja, enquanto é tempo. Covarde!

7 comentários no “SURTO

  1. Chico, somos vizinhos e nos conhecemos de "alguns"bons dias…gosto muito da Ju(tua mãe)e do Silvino. Adoro te ver e ouvir na Tv Band e rádio Band am. Tua voz é maravilhosa. Parabéns pela crônica! Vou fuçar teu blog. Beijos da vizinha e vovó
    Sonyr.

  2. Estou conhecendo seu trabalho agora e estou ficando "chocada" com a descrição dos fatos descritos nas crônicas, para alguns pode não parecer novidade, que na verdade não é … mas posso parabeniza-lo por descrever-los com tamanha "simpatia". O que mais gostei? "Posso estar aqui dilacerada, …mas eu jamais vou conseguir ter a falsidade de inventar uma paixão… Você é patético…", todo esse paragrafo é PERFEITO.

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