Amor

SÚPLICA

Sentado na varanda avisto o horizonte áureo cerúleo do crepúsculo e me questiono sobre a aurora que se aproxima. O dia seguinte promete ser complicado, especialmente por não saber por onde começar. Ou recomeçar.

Costumo agendar minha rotina antes de adormecer. Dentro da minha insana meticulosidade preciso programar o que pode acontecer para ser surpreendido o mínimo possível. Mas e quando as coisas fogem completamente do nosso domínio? É uma sensação de não saber onde pisar, de caminhar no escuro. Falando nisso, o céu lá fora já ganha tons marinhos com a lua tímida por trás das nuvens gerando aquele cenário bucólico para a minha angústia.

A garrafa de Whisky parece pesada para que eu sirva mais uma dose. Estou tentando preencher o vazio da minha existência, mas o máximo que consigo é expulsar algumas lágrimas que inundam meu rosto com um choro inaudível. Pranto preso, trancado, calado por não saber o que dizer, apenas sentir.

Não sei de você, não sei de mim. Não sei explicar, não sei como agir. A fragilidade no abandono nos deixa reféns dos próprios gestos. Cada ato um impulso, cada suspiro um alívio. Pior do que aceitar o término, é não saber se terminou.

Me dê um sinal, me diga que não quer, apareça aqui em casa, me insulte, desabafe suas vogais, venha nem que seja para me arrancar de você. Surja nem que seja para sumir de vez.

Me diga o que você quer, não seja egoísta definindo as coisas só pra você. Até ontem eu estava na sua vida. Preciso seguir em frente mas estou acorrentado na minha esperança.

Eu imploro: Me liberte, por favor. #cronicasdochico #TextoDasQuintas #Súplica #Blog

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