Quarta do Sofá, Sexo, Amor & Crônicas

REVIVAL

Acordo e não sei que horas são. Mal sei quem sou, quanto mais o dia da semana. Aqueles segundos de volta ao mundo são quase eternos. Faço um esforço enorme pra tentar enxergar aquele cara cabeludo do quadro em frente gritando no microfone. Custo a entender que o embaralhar da visão é porque meus óculos estão no chão. Queria entender o que eu tenho que fazer nos minutos seguintes, pois a sensação é que estou atrasado para alguma coisa. Talvez viver.

Aos poucos vou me lembrando. Pensamentos em fragmentos. Imediatamente coloco a mão ao lado da cama e você não está. Sinto aquela dor no estômago, que é o verdadeiro órgão do amor. Que coração, que nada. Tudo se concentra ali, na barriga. Quando estamos nervosos, ansiosos ou medrosos, o gemido sai da boca do estômago. É ali que se concentram as dores de amor e ainda assim é um injustiçado, pois quem leva a fama está no peito.

Sento na cama e o cheiro do teu perfume funciona como pílulas de lembranças da noite anterior. Eu sabia que era errado, sabia que não podia, mas o proibido é um inimigo atraente. E a carência, uma má companhia da solidão. Não devia ter te ligado. Você não devia ter atendido. Nosso assunto terminou, foram 11 meses de idas e vindas e eu não aguento mais meu corpo recorrendo ao teu, parece que só tem o endereço das tuas coxas.

Sei que você já está em outro e eu sempre disse que não vivo revivals, mas com você é sempre uma história diferente. Cada noite que você vem aqui em casa, me embriaga de vinhos e loucuras, então eu penso que vamos recomeçar. Uma vã esperança de que o fim seja uma continuidade. Se não for um reinício, que seja permanência. Se não ficar, que seja estar.

Mas chega de devaneios sobre coisas que não dão em nada. Hora de levantar, erguer a espinha e o orgulho, porque o sol já brilha forte lá fora.

Quando anoitecer eu ligo pra ela.

2 comentários no “REVIVAL

  1. Você é lindo, tem um conhecimento da alma feminina que até parece uma mulher. Vamos dividir nossas paixões, nossos anseios e nossos Você me entende e eu te entendo. Eu sei disso. Há uma conexão violenta, como um grito que insiste em não sair de mim. Só sai quando teu texto me toca. Ali, no âmago. Como duas borboletas acasalando. Como dois anjos que podem se amar, mas se distanciam. Como sexo. Como amor. Em forma de crônica.

    Beijo da tua fã, C.L.
    (PS: as iniciais são verdadeiras. Me ache.)

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