Amor

RETOQUES

Vivemos a era do disfarce, de construir imagens do que não temos.

Do que não somos.

Navegar pela internet me leva às águas turvas de pessoas desfiguradas. Aplicadas com retoques que vão além do charme e da simpatia. Nem falo de aperfeiçoamentos estéticos cirúrgicos. A evolução da espécie já aceita um silicone de boa, uma correção no nariz, uma lipo “aquiali”, uma drenagem toda semana, limpezas de pele, tratamentos diuréticos e uma série de melhorias que tentamos fazer para nos sentirmos um pouco dentro desse quadrado chamado padrão de beleza.

A verdade é que precisamos de injeções na autoestima .

Muitos perfis nas redes sociais distorcem a realidade com aplicativos que mais parecem nos tornar personagens de cartoons do que realmente conseguir as melhorias que pretendemos. Aliás, qual nosso objetivo ao reduzir formas? Ampliar o abismo entre o que somos e o que queremos transparecer?

Agradar a si mesmo? Enganando a nossa aparência, a essência das nossas curvas, das nossas rugas? Histórias que carregamos através da pele? Ou tentando provar para o mundo que ele pode nos aceitar agora. Atrair aquele carinha porque ele me achou gostosa na foto do Tinder. Já se deu conta a quem você quer enganar? E se vale a pena.

Frustra possíveis interessados em alguém que não existe e decepciona o próprio espelho, que não compactua com essa vâ tentativa de parecermos diferentes do que ele mostra.

É tão mais linda e natural uma mulher de moletom.

Preocupe-se em ser feliz, em produzir algo legal na vida, fazer o bem, trabalhar o suficiente para jantar num restaurante bacana, fazer a viagens dos sonhos, mas sem te impedir de ver um filho crescer, de caminhar descalço na areia, de tirar aquele cochilo que renova. Estar bonito na selfie pode ser uma coisa boa, mas não precisa de filtro para admirar um pôr do sol, ver as ondas quebrando na praia, receber um carinho do seu cachorro de estimação quando chega em casa ou cócegas da sobrinha preferida.

Precisamos de photoshop na alma. Limpar toda essa neura de vendermos o que não está na nossa prateleira, o sorriso que não temos pois falta felicidade.

A alegria de viver não tem retoques, está na simplicidade de ser quem você é.