Café das Segundas, Sexo, Amor & Crônicas

PRIMEIRO AMOR

 

 

Primeiro amor a gente nunca esquece. Cria marcas eternas e transforma nossa personalidade emocional. Depois do primeiro amor, somos homem e mulher, ganhamos o ticket da maturidade, vivenciamos a iniciação das belezas da vida. E dos problemas também. Primeiro amor pode ser o último, mas geralmente não passa de uma missão do destino em nos abrir as portas do sentimento. É o primeiro encontro com si mesmo, com a intensidade do coração. Descobrimos a capacidade de amar e o quanto isso pode ser doloroso, mas ao mesmo tempo fantástico.

 

Primeiro amor é infantil, mesmo que adolescente. Não mede a palavra dita, o gesto de entrega, ou a volúpia dos erros. Correspondido ou não, a sensação de sufocamento é a mesma. Se é platônico, o primeiro amor não passa da vivência dos olhos e somos capazes de aprender com essa dor também. Quando é retribuído, a pulsação do corpo muda completamente. Os sentidos já não são mais os mesmos e cada sensação diferente é uma descoberta de um mundo paralelo, entre a cabeça e o coração. Quando amamos pela primeira vez, simplesmente começamos a viver.

 

Primeiro amor tropeça por não enxergar direito. Sorri, pois o peito conhece uma sensação inquietantemente familiar, que o corpo procurava até então. Chora, pois não consegue entender como lidar com a possível ausência daquele cheiro. Primeiro amor tem proporções estratosféricas. A saudade causa dor física, o gozo uma explosão de prazer e o término, uma verdadeira hecatombe. Primeiro amor não sabe acabar.

 

O primeiro amor tem ilusões reais, fantasias palpáveis, desejo de transpor o impossível. Nos faz acreditar que é possível encontrar a felicidade apenas com o abrir dos olhos pela manhã, enxergar o mundo através das cores, abandonar a vida monocromática da busca por essa falta de ar, para respirar melhor. O primeiro amor sonha em mudar de nome e transformar-se em único.

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