Sexo, Amor & Crônicas

PECADO

pecado

Quando te vi naquela festa que eu não ia, no lugar que eu não frequento, algo me dizia que o acaso estava agindo pelas minhas costas. O ambiente era familiar e eu conheço como poucos a iminente sensação de risco no amor. Tentei fingir que não fugia, fazer de conta que era apenas uma volta noturna de sábado. Mal sabia eu, que o pecado havia marcado um encontro comigo, naquela noite.

Posso dizer que conheci a malícia em pessoa, o diabo em forma de mulher. Exalava sensualidade. Transpirava sexo. Tudo isso escondido atrás de uma enorme carência. Ela era um vulcão adormecido que, ao me ver, acordou.

Pelo olhar, trocávamos conversas sobre o proibido. A gente se entendia sem falar. O desejo tinha vida própria e a vontade uma medida certa de exagero. Busca pelo novo, sentimento juvenil, fôlego rareado, tudo isso me remetia à algo que eu não poderia querer, mas me seduzia cada vez mais.

A partir dali, me vesti de lençóis de fogo, encontro de peles, descoberta do olfato. As paredes cúmplices dos quartos de paixão me julgavam a cada escapada e quanto mais isso acontecia, mais eu desafiava a lógica. Precisava daquele ar de libertinagem, do frescor da juventude, da atmosfera travessa que tomou conta de mim.

Paixão violenta, intenso torpor, desatino proibido. Sexo extremo, raiva de prazer, êxtase máximo. O saldo disso tudo foi uma lembrança. Memórias de uma história tórrida e arrebatadora. Com ou sem sentimento, a entrega era total. Tanta, que ela ainda não me devolveu para eu mesmo, para a minha vida. Fui, mas não voltei. Ainda estou lá, preso naquela pele, entranhado naquela alma proibida, naquele corpo devasso e gostoso. Me perdi e não sei mais voltar.

Meu sexo ficou cego. Sem você, não enxergo mais prazer.

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