Sexo, Amor & Crônicas

PARTIR

partir

Partir é a fuga da semântica para confundir a perda. Parte de mim quer que você pegue esse voo. A outra metade está partida. Você pode até partir do meu colo, da minha irritante mania de te achar bonita, mas você jamais partirá da minha vida. Não parta aquilo que nós construímos. Não parta!
 
Você nunca concordou com meu jeito sincero de errar. Partir agora significaria repartir uma história que teve apenas sua primeira parte. Uma parte de mim queria a felicidade. A outra parte achava que era feliz. Um último pedacinho da minha existência acreditava naquele sorriso partido. Partido estou agora, ao ouvir seu nome no saguão do aeroporto. Você vai realmente partir.
 
O pior é que eu já deveria ter partido pra outra, mas parte de mim insistiu numa tentativa de me encontrar em você. Chegadas ou partidas não resolveram minha saudade de mim. Preciso voltar para onde eu nunca deveria ter partido. Juntar os cacos partidos do meu orgulho e partir para uma vida nova.
 
Ao partir, leve com você meu coração partido, minha eterna ternura por você ter feito parte do meu destino, e não esqueça minha gratidão, por me ensinar que o amor pode ser intenso, mesmo na partida. Parta, sem partir. Parte de mim irá com você. A outra parte partirá em busca da felicidade. Partir nunca é bom, mas pode representar uma partida para dentro da gente. Redescoberta da forma mais autêntica de viver.
 
Assim como você, também partirei. Seguirei o rumo das minhas incertezas e sem partir nada nem ninguém. Partir hoje para chegar amanhã, sempre partindo para encontrar a melhor parte de mim. Parto e não volto. Sempre em frente, torcendo para que nunca mais eu possa te ver partir.
 
Partir assim é a ambiguidade da tristeza. Minha alegria não parte. Partir minha vontade de viver? Jamais. Quero ser feliz e viver sem partidas. Partiu?

2 comentários no “PARTIR

  1. SÍNDROME DO AMOR PERDIDO

    Nada tive.
    Nada tenho.
    Busco levado
    Por ventanias,
    A falta
    Que o amor
    Que por
    Sei lá quem
    Indicou-me
    Só por existir!
    Não sei o que há
    Nesta terra
    Que o amor inclui
    Sei lá que vícios
    Que de meus vícios
    Se poem em repuxo
    Sem me levar junto.
    Como uma ventania
    Da velha praia do Cassino
    Deixo-me levar
    Até a próxima
    Que apenas por existir
    Indica-me o amor
    Que meu vício
    Insiste dizer que é meu!

    Caê

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