Sexo, Amor & Crônicas

O VENTO

 

vento
O vento me avisa da mudança e não apenas na estação. Preciso recolher os pedaços da nossa história nessas caixas e tentar resgatar o que me sobra de autoestima nesse momento. Ajoelho-me no chão do quarto, separo cartas e bilhetes, com desenhos de corações flechados, fragmentos de uma paixão que um dia foi tão viva, mas que hoje está presa nestas folhas de papel.
 
Respiro fundo e o vento lá fora parece aumentar. Enquanto observo as árvores balançando, sigo o instinto da natureza e me ergo, tentando sacudir as lágrimas, coladas no rosto. Como é difícil aceitar a perda, encarar a dor. Como alguém pode dizer que ama e de repente dizer que esse sentimento morreu? Como? A grande questão é que não é “de repente”. Só que não percebemos.
 
A estação era mais fria e o nosso amor estava em chamas. Os finais de semana eram meus objetivos mais saborosos. Filmes e passeios; viagens e cobertas; presentes e planos. Entrega sem preocupação. Nem reparei quando ela não tinha mais tempo pra mim. Achei que era o trabalho, o seu lado família falando mais alto. A gente se engana fácil. Aos poucos, fui vendo ela escorregar do meu coração. Via, mas não enxergava. Ah, se eu tivesse ouvido o vento.
 
Nesse momento, escuto um assovio do lado de fora do quarto e observo o vento trazer um parceiro: o pôr do sol. Sorrio sem querer, quase como um soluço de alegria por presenciar uma beleza natural, que me mostra mais do que o fim de um dia. É o prenúncio de que o sol vai voltar amanhã, me dando a esperança de que a vida que tenho pela frente será melhor do que hoje. Só a natureza é capaz de fazer isso.
 
Não adianta você me dizer que eu mereço mais, de que isso acontece, que nada é por acaso e todas aquelas frases feitas escritas em todos os livros de autoajuda sentimental. A teoria é bela, mas a prática é cruel. Preciso de um tempo para reorganizar meu arquivo de imagens, varrer você da minha cabeça, já que do coração, vou precisar mais de uma estação para isso. Talvez o vento me ajude.

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