Sexo, Amor & Crônicas

MEDO

O medo de cair nos faz tropeçar. O medo de viver nos faz morrer um pouco mais a cada dia. E o medo de amar simplesmente nos impede de seguir em frente. Medo de falar, de tocar, de se entregar. Medo de esperar por alguém que nos faça sorrir. Medo da felicidade.

 
Não queremos nos machucar além do que já sofremos. Cicatrizes mal curadas, dores que ensinam, mas permanecem dentro da gente. Marcas que nos tornam duros, especialmente conosco.
 
Não é fácil vencer o medo do novo, do desconhecido. Aquela alegria por estar com alguém pode ser efêmera, breve como um suspiro. E o temor de sentir a ausência dessa gostosa sensação nos faz recuar. Pensamos se vale a pena arriscar viver o agora, sabendo que vamos sofrer no depois.
 
Podemos ser autênticos? Já quebramos tanto a cara tentando ser nada além do que somos. Então a gente cria mecanismos de defesa, tenta entrar num jogo sem saber exatamente as regras. O resultado é um tenso empate com a vulnerabilidade.
 
Mando mensagem? O que ela vai achar? Respondo a que ela mandou? Já sei, vou ligar. E se for invasivo? E se ela não puder me atender? Deve estar pensando em outro. Certo que está pensando em outro. E se estiver com alguém? Provável que goste de outra pessoa, eu não sou lá muito atraente mesmo, afinal estava sozinho por um motivo. Que droga de insegurança. Tô com um puta medo da resposta dela. Medo até de ser feliz.
 
O amor é engraçado, faz a gente se questionar o tempo todo. Já perdemos alguns pelo caminho e sempre temos a esperança de encontrar o definitivo. Ao mesmo tempo, impossível ignorar o receio de se entregar novamente, de começar tudo outra vez. Descobrir o mapa da pessoa, as vontades, desejos, angústias, manias. Decifrar os meandros da amada é um laboratório interessante, mas é preciso desprendimento e estabilidade para acontecer. Precisamos ter a certeza de que ao segurarmos uma corda, a outra ponta estará segura também. A confiança é o antídoto do medo. Mas é preciso coragem para confiar. E só confiamos se o sentimento for grande, intenso. Esse é o primeiro passo.
 
Quero, mas não posso. Preciso, mas não devo. Não é fácil arriscar numa relação. Como envolve duas pessoas, com pensamentos, vivências e realidades distintas, a chance de não dar certo é muito grande. É complicado perceber que o pra sempre sempre acaba. Um término cria sequelas. Ao começar uma nova história, já sabemos que haverá um final, que pode não necessariamente ser feliz. Não agora, não com esta pessoa. Não é fácil entender que a vida tem planos melhores pra nós.
 
O medo vai sempre existir. É ele quem trava nossas loucuras, norteia o raciocínio. O medo é o juiz no duelo entre razão e emoção. E se a coragem vencer, agimos pelo coração. Caso contrário, a cabeça vai tentar nos guiar. Em vão. Não se faz nada sem sentimento.
 
É inevitável temer o próximo passo, saber quando a relação fica séria, quando vira compromisso. Na verdade o processo é natural e não deveríamos nos preocupar com isso. Mas o medo de não ser correspondido assusta. Bom seria se existisse uma régua sentimental para medirmos o tamanho do amor de cada um, ou um termômetro para definir se as nossas temperaturas estão na mesma escala. Ah, isso é impossível. E ótimo mesmo seria se a gente pudesse ter acesso aos pensamentos alheios. Ou não. Melhor mesmo é agir com nossa sinceridade e deixar que o medo não nos impeça de sorrir.
 
O medo instiga, alerta, mas pode inibir. Mostre ao medo quem manda e não tenha medo de ser feliz. Tenha a certeza de que o amor verdadeiro não tem medo de viver.

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