Sexo, Amor & Crônicas

MATURIDADE

maturidade

Não podemos prender aquele que não nos pertence. O amor juvenil é sempre tão grande, intenso e febril. Nos permite tombos, impulsos e as mais arriscadas tentativas. É a descoberta do prazer de viver, amar o brilho do sol e o enigma da noite. Fazer loucuras trajadas de rebeldia, ir até onde o desejo permite. Reiventar-se para ciar um mundo próprio. E na ilusão criada de uma paixão fugaz, não enxergamos o chão para pisar. Tudo flutua e preferimos assim.

Os amigos avisam que nos jogamos “de cabeça”, mas a gente não percebe. Queremos ver até onde vai esse sentimento novo, forte demais para caber no peito. Se a gente arrisca, sabemos que o outro está no mesmo rumo. Pelo menos acreditamos nisso. E não raro, somos surpreendidos pelo abandono repentino. A primeira fossa, a primeira rejeição. É uma tormenta de sensações inéditas e vamos aprendendo – do jeito mais duro – como a vida pode ser cruel.

Quando a maturidade chega, entendemos que não podemos mandar na vontade alheia, muito menos no destino. Ninguém pode obrigar o outro a sentir aquilo que não consegue. Muitas vezes nós mesmos passamos por essa situação: tentar gostar de uma pessoa que seria perfeita para o momento. Tem tudo a ver conosco e, com o tempo, seríamos muito felizes. Como se sentimento fosse possível direcionar, escolher a quem entregar e pronto. Coração é independente, ama pelo cheiro, pelo som da voz, pela presença e, às vezes, até pela ausência. Coração sente saudade antes da gente. Coração percebe que ama antes de nos darmos conta disso. Ele que escolhe, não perca seu tempo fazendo isso.

Se tivéssemos o discernimento necessário para perceber que o outro está indo embora – nos deixando por algum motivo qualquer – simplesmente deixaríamos ir. Como quem abre uma porta para o amor sair, libertaríamos aquele prisioneiro para a felicidade. Seria até menos doloroso. Ao invés disso, esperneamos, questionamos, trazemos velhos rancores à tona e, num suspiro de tentar salvar o que já se foi, suplicamos por algo que não existe mais, imploramos por uma atenção que não será dada, gastando o último resquício de dignidade que restou. É o orgulho sendo pisoteado para tentar satisfazer a necessidade da pessoa amada.

“Vai embora! Voa! Seja feliz. Se o destino quiser, os ventos que te levam irão te trazer algum dia. Estaremos melhores, mais maduros, fortes emocionalmente e capazes de perdoar. Eu te receberei de braços abertos, se assim o meu coração permitir. Vá e aproveite o que a vida tem de melhor. Se não fui merecedor desse sentimento agora, quem sabe um dia eu estarei pronto para ser o alvo do teu coração”.

Queria ter essa maturidade quando precisei, mas errar é justamente o início do aprendizado. Errar é amadurecer.

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