Sexo, Amor & Crônicas

LOVE SONG


A música dita o ritmo das batidas do coração. Não existe emoção sem uma trilha sonora. Nos momentos mais marcantes, ela está lá. Presenciando o primeiro beijo na balada, em pensamento durante uma ruptura traumática, ou no quarto, sozinho, tentando buscar uma combinação perfeita entre letra, melodia e a minha tristeza. A música questiona e nos traz as respostas. Acalma e inspira. Música é puro sentimento.
 
Nenhuma fase da vida sofre mais influência musical do que a nossa adolescência. Um gesto em cada verso. Dormimos e acordamos pensando em alguém – sempre na companhia de uma canção. Pode ser um pagode romântico do Só Pra Contrariar que nos faz chorar até hoje, ou então as letras do Nando Reis que parecem ter sido escritas para qualquer momento da nossa vida. Uma balada do Guns que nos faz refletir, um grito afinado do Freddie Mercury em alguma “ópera-rock”, do Queen, ou ainda as lições de Chico Buarque e a sua doutrina literária com as notas do coração. Existem palavras eternas, como as presentes nas músicas de Cazuza e Renato Russo. Poetas com o dom de cantar o amor. E existem hinos que respeitam os sinais do nosso corpo, das nossas necessidades. Pode ser cult. Pode ser brega. O importante é tocar na alma e refletir nossas sensações, mesmo que diga apenas o que o Zezé Di Camargo pensa a respeito do amor. O coração não tem gosto musical.
 
Algumas músicas parecem reproduzir uma foto virtual de alguém na sua cabeça, ao ouvi-la no rádio ou no seu Ipod. Não adianta, é uma lembrança simultânea. Somente um perfume marcante tem poder semelhante. Recordar não significa que o amor permanece, mas sim, que um dia existiu. Tampouco é preciso mágoa para trocar a estação rapidamente. No entanto, nunca é bom recordar o que nos fez mal. A música é a única máquina do tempo que o homem conseguiu inventar.
 
Além de romântica, a música pode ser sensual. O homem ou a mulher que possuir o dom da melodia na voz, já está um passo à frente na arte da conquista. A serenata tem um índice espantoso de aprovação. Aliás, tocar um instrumento musical provoca reações imediatas no sexo oposto. Ninguém resiste ao talento sonoro de alguém. Escolher a trilha do sexo também é rara aptidão. Há de ser sexy, sem ser melosa, envolvente, sem ser agitada, intensa e subjetiva. Está ali para estimular movimentos, mas sem tirar a concentração. A música na Hora H permite a fuga do silêncio.
 
A música introduz a paquera, auxilia na sedução, revela o sentimento do casal, em voz e violão. Após a separação, a música é uma parceira fiel. Consola, tranquiliza e, muitas vezes, nos faz entender porque acabou. A música anda de mãos dadas com o sentimento. Amando, somos mais felizes, mais musicais. Nosso sorriso passa a ter direitos autorais bem conhecidos e nosso corpo só responde à chamada dança da entrega.
 
O amor nos faz cantar. O amor é a canção da vida.

Um comentário no “LOVE SONG

  1. Excelente o texto, e minha cabeça insatisfeita e inquieta só pensa: poxa, poderia não ter colocado o Só para contrariar aí. Incrível como meu gosto musical tão diferente de pagode quase me bloqueou completamente para ler o resto do texto. Respirei fundo e segui. Mas a música faz isso, não é mesmo… rs

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