Sexo, Amor & Crônicas

INSÔNIA

 

Duas da manhã. A noite parece a pausa do tempo, descanso do dia. Momento de tomar as decisões. Agir fica para quando o sol nascer, por enquanto preciso refletir sobre a nossa história. E quando mais eu converso com a lua, menos ela me entende.

 

Duas e meia, busco um café na cozinha. Aqueço minhas mãos geladas na caneca quente e deixo o meu rosto suar com a fumaça próxima do nariz. Me sento de novo em frente ao computador e tento entender cada linha daquilo que você escreveu. Leio, releio e volto no tempo. Aprendi a não me arrepender daquilo que um dia me fez sorrir. O fim de uma relação sempre reserva mágoa, algum rancor, mesmo que tudo isso seja travestido por uma certa indiferença. Por mais que não haja um final feliz, prefiro sempre guardar o carinho. Se um dia você confiou o seu lado na cama para uma pessoa, pense, ela não pode ser tão desprezível assim.

 

Três e dez, os olhos fazem força para ficarem abertos. Secos, com areia no lugar das lágrimas. Suspiro, como se o ar renovado me trouxesse alguma resposta. Não consigo sair da última frase, aquela em que você frisa o Adeus, depois de descrever todos os erros que eu cometi, mais comigo do que contigo.

 

Cinco pras quatro, te procuro no msn, pego o celular mais de uma vez, escrevo a mensagem e apago, te ligo e desligo antes de chamar. Maldita insônia que fez o meu coração acordar. Num desespero permitido apenas pela madrugada, vasculho nossas fotos, ouço as músicas que embalavam nosso romance e volto no tempo por alguns minutos. Relembro viagens, recados, bilhetes, histórias. Pronto, a insônia atinge o apogeu e em pouco tempo, a derrocada. A paz da felicidade um dia encontrada, me faz adormecer.

 

Seis e meia, o sol invade a sala pela fresta da janela e o sofá me avisa que ali não é o meu lugar. Arrasto meu corpo pra cama, quase sorrindo daquele sono gostoso. Acordo horas depois com um gosto de saudade na boca. Dou uma risada de lado, satisfeito de que meu sentimento puro vai sempre me impedir de lembrá-la com ódio. Ah, o e-mail? Apaguei. Pelo menos na caixa de mensagens, posso te deletar.

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