Sexo, Amor & Crônicas

INEXPLICÁVEL

 

Nunca vou entender como ela consegue passar tanto tempo escovando o cabelo quando sai do banho. Passam horas, pedimos comida, a gente assiste a um episódio da nossa série favorita e ela segue o ritual. Sorrio. Ela sorri de volta.

Não há como explicar a forma como ela me acorda com beijos carinhosos pra que eu desperte de forma vagarosa dos sonhos. Acordo amando e sorrindo antes de me dar conta da minha própria consciência. O mais instigante é que na sequência sou convidado a virar pro lado e aproveitar aqueles “5 minutinhos a mais”, agora abraçados, conscientes de um bom dia que vem pela frente.

Adoro aquele jeito de resolver tudo com o Google. Nada fica sem resposta. Curiosidade que me encanta. Gosto quando ela me ajuda na lista do mercado, ou quando corrige meu português (tá, isso eu não gosto, mas acho bonitinho). Gosto de tê-la por perto, sempre. Gosto de tê-la. 

Como vou explicar aquela carinha feliz quando chego em casa? Quando apronto algo que ela gosta, como lavar a louça escondido só pra agradar? Olho pra cima fingindo que não sei de nada. Caímos no riso. Não dá pra explicar a felicidade na rotina.

A mordida no lábio ao descobrir um doce, a lágrima sincera de se emocionar com um romance, o jeito menina de vibrar com uma noticia que anime o dia. Ou apenas o brilho no olhar de quem se deparou com um céu azul para colorir a sua quinta-feira. Detalhes que contornam uma silhueta de amor.

O inexplicável é vivido também. Há quem decifre sentimentos em palavras vãs, desnecessárias dentro da nossa tentativa de encontrar respostas para o que o peito sente. Letras imprecisas na arte de desenhar a paixão. Papel rasgado, bilhete amassado, canção repetida que sempre toca o coração.

Parece mentira, mas o verdadeiro amor não tem explicação.

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