Sexo, Amor & Crônicas

INDECIFRÁVEL

Compreender sentimentos é como brigar de foice com a razão. Travar uma batalha consigo mesmo e perder. Desafiar a sábia e enigmática natureza. Não tem sentido. Ou direção. É inútil. Mas esbarramos na turva ilusão de que domamos as emoções. Impossível.

Quantas vezes você já ouviu alguém se referir a duas pessoas atraentes fisicamente, interessantes, bom papo, inteligentes e dispostas a viverem um romance: “são perfeitos um para o ouro. Deveriam ficar juntos!”

Bobagem.

Como se o amor brotasse por vontade. Como se pessoas de bom caráter e gostos parecidos justificassem uma união. “Fiquem juntos, vocês combinam”, eles dizem. Tolos.

Sentimento é espontâneo, tem vida própria, surge quando quer, não na hora certa. Vem de onde não imaginamos e se dirige a quem quiser, não para o príncipe encantado ou para a donzela ideal. Apaixonar-se não tem lógica. É puro instinto a serviço do abstrato.

Amor é genuíno, mas indecifrável. Não adianta querer querer, tentar gostar, afirmar para o espelho e para a sua mãe que aquele bom partido é o homem da sua vida. Quando na verdade o tirano que trabalha com você, não tem lá os melhores predicados e geraria uma série de revoltas familiares pelo jeito transgressor é quem faz suas pernas tremerem e seu coração vibrar. Você pode controlar suas atitudes e evitar o contato com essa pessoa. Jamais conseguirá comandar o que sente.

Sentimento forçado vai do mesmo jeito que vem. Ilusório, superficial e raso. Não se sustenta. Desmorona quando faltar palpitação, quando o sexo for apenas físico, quando o beijo for técnico e os gestos apenas automáticos. O amor não é mecânico, é orgânico. É impossível inventar um sentimento. Pelo menos não por muito tempo.

Amor não se procura, ele encontra você.

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