Amor

GAVETAS DO CORAÇÃO

Existe um lugar secreto dentro do peito. Ele conserva memórias que o cérebro já apagou. Organiza histórias contadas no livro da nossa vida, capítulos que não podemos revisitar pois viramos a página. Mas quando precisarmos recorrer às linhas de um amor antigo, é nas gavetas do coração que estarão nossas obras do passado.

É preciso seguir em frente quando acaba uma relação. Por qualquer que seja o motivo, a vida não tem tempo para o que é importante pra você. O mundo tem pressa e se não entrarmos no ritmo da esteira, ela acaba nos derrubando.

Então a gente olha pro horizonte, seca as lágrimas, respira fundo e coloca aquela armadura emocional que nos protegerá na batalha. Por dentro estamos dilacerados, mas resistimos fortes porque não temos escolha. Com o tempo voltamos a sorrir, descobrimos novas paisagens e percebemos que a felicidade retorna se você for em busca dela.

Muitas lembranças conseguimos esquecer. Ou não lembrar. Estão guardadas no sótão dos sentimentos, no porão das nossas andanças, na gaveta do nosso coração. O problema é quando alguém resolve mexer.

A mente deletou, o coração não. Quando essa pessoinha que fora importante outrora resolve entrar sem bater no nosso lar sentimental, revira os armários e coloca pra fora cartas de uma história que foi escrita há muito tempo, se torna inevitável não lembrar. E a memória do peito é sensitiva. Faz ele bater forte, acelerar, provoca suor e até mesmo lágrimas que já foram expulsas mas que voltam para nos atormentar.

Fica ali exposto tudo aquilo que tentamos guardar. Impossível não reviver, não sentir, não questionar. Incrível como o tempo é seletivo, consegue escolher o momento certo para a gente se apaixonar e amadurecer e a quem designar o verdadeiro amor.

Às vezes não entendemos o significado de tudo isso. Por vezes recolhemos todos esses fragmentos, sorrimos e devolvemos pra gaveta. Outras vezes redescobrimos uma alegria que faltava para sermos felizes por completo.

Nas gavetas do coração reside o nosso maior segredo.