Sexo, Amor & Crônicas

FUGA

fuga

Peguei a estrada para fugir de mim. Pisava fundo no acelerador, na tentativa de ficar mais distante do que eu queria fazer. No espelho retrovisor, a nossa história, que insiste em me perseguir. Na contramão da minha razão, a minha vontade e o meu desejo.

Que ingenuidade a minha. Pensei que 130 quilômetros me fariam pensar menos. Como se o pensamento tivesse barreiras, como se o sentimento fosse surdo e não escutasse o coração. A verdade é que não consigo me dissociar de ti. Onde eu for, você sempre estará comigo. Penso, logo te quero.

Gosto do litoral no inverno. Ele combina com a minha saudade. O vento me consola, o ar puro limpa minhas ideias, o mar reflete o tamanho da minha dúvida. Vou ficar alguns dias por aqui. Talvez você desista de tentar, talvez você me esqueça. Tudo isso para eu não desistir de te esquecer. Uso a distância como correntes em minha volta, para não cometer o maior e mais gostoso dos erros.

Você é diferente de todas, parece ter uma varinha de condão para me atrair. Vivo um eterno encantamento, hipnose dos meus sentidos. O problema está no despertar. Retornar do sonho de voltar a estar contigo vai me remeter à mais dura realidade: não te ter por perto mais uma vez.

Eu sei, uma hora terei de pegar a estrada para voltar, mas por enquanto eu fico aqui, torcendo para o meu coração adormecer, aproveitar o clima litorâneo de junho e hibernar. Se até o fim do inverno meus olhos não te verem novamente, terei a segurança de que minha emoção estará tranquila, sossegada, tal como as dunas. A razão venceu, ou melhor, tive que fazê-la ganhar. Simplesmente porque, se tratando de você, ela é e sempre será o lado mais fraco.

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