Amor

EU TE ODEIO

Não são 10 coisas que eu odeio em você, mas Heath Ledger e Julia Stiles nos ensinaram como é lindo odiar o fato de nem por um segundo conseguir odiar. E eu te odeio por isso.

Quando vimos esse filme a nossa amizade já estava num andar acima, pelo menos pra mim. Me incomodava tua autossuficiência emocional, a mania de imitar um porquinho quando ria e o sotaque caipira. Por algum motivo inexplicável, essas mesmas coisas me encantavam e eu só percebia quando você ia embora. Aos poucos a canção “Can’t take my eyes off of you” não saía mais da minha cabeça. É… parece que i love you baby.

Houve um tempo em que o ódio parecia real. Doloroso, a ponto de machucar fisicamente, de embrabecer diante do espelho, de ligações tresloucadas para reclamar daquela última postagem no Instagram. Eu queria interferir demais na vida dela, fazer parte do seu mundo. Meu desconforto só não me deixava enxergar o óbvio: o ódio na verdade era um sentimento maior.

Ao provar o doce mais doce, após algumas colheradas, o paladar reconhecerá um sabor próximo do amargo. Após um tempo na escuridão, os olhos irão reagir fechando a pálpebra quando a luz inesperadamente surgir. Antônimos giram em torno do controverso e muitas vezes se encontram do outro lado da ponte. No giro de 360 graus dos sentidos, ódio e amor andam juntos, porém com uma roupa distinta, um disfarce para cada ocasião, enganando nosso bobo coração.

Autoconhecimento sucumbe quando nossa razão distorce a realidade, quando nossa própria lógica se distancia das nossas emoções. Somos iletrados na arte do amor.

Odeio te querer mais do que posso. Odeio me sentir vulnerável ao teu corpo. Odeio sentir amor e não reconhecer qual sentimento me alimenta mais. Te odeio e me odeio por isso.

O ódio é o amor que esqueceu de se apaixonar.

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