Sexo, Amor & Crônicas

Eu queria poder engravidar

A natureza é sábia, concede às mulheres a mais nobre missão: gerar vida. Não por acaso o ser feminino é magnânimo, em toda espécie. Supremacia divina responsável por perpetuar a existência. Mas junto com a dádiva, vem o maior desafio existencial de uma mãe: ser mulher.

A gestação é linda, mas também desconfortável. Não apenas pela barriga e pelas dores nas costas. Peso nos ombros de carregar algo tão importante para ela, para os avós, tios, padrinhos e amigos. Uma preocupação constante de compartilhar algo tão único e singular. Seios inchados, doloridos, enjoos, espinhas, transformação do corpo. É dom e vocação. É maravilhoso ser mãe, mas nada fácil.

Mesmo com tantos percalços, o significado da maternidade é muito maior. A benção supera tudo. E muitas mulheres acalentam esse sonho desde criança. Antes de ter contato com as dificuldades da vida adulta. Começa com as bonecas, brincando de casinha, vestindo, amamentando, trocando a fralda. A menina aprende a ser mãe antes de ser mulher. O mundo impõe desde cedo que essa é uma de suas missões na terra.

O tempo vai passando e a geração atual descobriu que não é necessário constituir família aos 20 anos como fizeram nossos pais e avós. Tampouco aos 30 quando encontramos nossa independência financeira e a liberdade sexual. Mas e quando chega perto dos 40? Bom, aí a mulher sofre um dilema que os homens jamais saberão.

A medicina evoluiu, mas sabemos que existe um prazo para o sonho da maternidade ser realizado. O tempo vai passando e muitas mulheres não se encontram em uma relação estável. As amigas questionam, a mãe lamenta o infortúnio de não ser avó, você se olha no espelho e se sente diminuída por não conceber. Muitas vezes porque não consegue, porque tem medo, porque não confia no provável pai da criança, por não querer e ser julgada por isso, por não estar pronta para enfrentar tudo sozinha. Por tudo. O homem apenas espera conquistar seus objetivos para depois pensar na paternidade. Ele tem tempo pra isso.

Conheço muitos pais ativos na gestação e no nascimento. Pais que criam com amor e devoção. Mas existem algumas particularidades que são exclusivas da mulher. Da mãe. O corpo é dela, o ventre é dela, o peito que alimenta é dela. Se ele acordar à noite com o choro, poderá pegar o bebê no colo por alguns segundos. Se quiser mamar, a mãe terá de ser acordada. Embora nada seja maior do que aqueles olhinhos cansados, fechados, sugando o bico do seio, envolto em seus braços, o esforço é inegável.

Por essas e outras tantas questões, eu queria engravidar. Dividir essa responsabilidade, carregar esse peso, pensar com esse prazo de validade contra mim. Sei que é impossível, então o que resta a nós, seres masculinos, é compreender ao máximo o que é ser mulher.

Uma dádiva, uma força, uma verdadeira missão.

 

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