Amor

ENTRE NÓS

Havia tanto entre nós. Tanto emaranhado de assunto, laços criados na mobília do lar. Em nós me prendi. E me perdi.

Na poeira do móvel da sala reside a falta que você me faz. No cinzeiro ainda sujo sobre o parapeito da janela o resquício do teu vicio. Na fotografia, a felicidade congelada de um tempo que se foi, mas ainda está. A relatividade da vida é tragicômica e eu não sei se rio ou se choro na cama vazia desse apartamento.

Como perceber quando desata? Descobrir o momento em que a ponta escapa do nó e segue seu rumo livre da outra ponta. Não amarra mais, não existe mais nó.

Nós.

Eu tentei entender as diferenças, vontades opostas que faziam cada pedaço nosso ir para um lado. Pois tinha algo que nos unia, além de nós. Um sentimento único, indivisível, abraçado na certeza de ser feliz por si só.

Não deu nó. Não deu certo.

Nós amarram aquilo que prende. Duas partes que se abraçam e se tornam um nó, algo singular que só sobrevive pela união. Se um afrouxar, por mais que apertemos o outro lado, este ficará rijo, na tentativa de ser firme buscando em vão concluir o nó, apenas observando seu complemento escorregar e partir.

Sem você não existe nós.