Sexo, Amor & Crônicas

DECEPÇÃO

decepcao

Difícil entender como uma pessoa pode fazer isso com alguém que lhe deu tanto. Eu fui tudo pra esse cara. Um moleque, na verdade. Se transformou num homem, graças a mim. Eu o fiz acordar pra vida, mostrei que aquele emprego não lhe acrescentava nada e que ele deveria ter saído da casa da mãe. Sim, tive que lavar a roupa dele, mas na cozinha ele se virou. De vez em quando até chegava em casa e o via passando a roupa, com a cama arrumada. Ele aprendeu que viver é muito mais do que um jogo de futebol. Virou responsável e cuidadoso, porém, infiel.

Juro que tento, me esforço, mas é quase impossível conceber porque ele fez isso comigo. Estou aqui sentada na janela dessa sala vazia, olhando pra rua. Vejo os carros passando, a cidade pulsando e o meu coração em pedaços. O vidro serve como um espelho obscuro. Mostra minha maquiagem sucumbindo às lágrimas e manchando meu rosto. Consigo ver minha alma também e ela é o reflexo da decepção. Me entreguei, me doei, abri meu corpo e meu espírito para esse homem e ele me traiu. Que terrível sensação de vergonha. É um “auto-embaraço”. Ele fez a merda e quem se sente mal sou eu. Choro de raiva, de rancor. A tristeza não chegou ainda, por enquanto é só revolta. Ódio de mim mesma, saca? Como fui tão idiota?


Não sei o que pensar. E olha que me considero madura emocionalmente. Tento raciocinar e parece que minha cabeça vai explodir. Já refleti sobre a necessidade masculina por sexo, ou então que pode não ter sido culpa dele, afinal a mulherada anda impossível mesmo. No mesmo instante, o cigarro que me queima por dentro, me responde que a vida às vezes te apunhala para que você aprenda as lições do jeito mais duro possível. Não há pior traição do que aquela inesperada, de quem confiamos nosso sono. Falando nisso, será difícil vencer a noite. Meus olhos estão inchados e eu caminho de um lado pro outro nesse apartamento de calcinha e uma camiseta dele. Já bebi meia garrafa de vinho sozinha e meu cabelos ensaiam uma vida própria.

É aquele momento em que você não consegue distinguir frio de calor, fome não existe e a sede se manifesta apenas na vontade de secar todos as bebidas alcoólicas da estante. Ouço toda a discografia do Oswaldo Montenegro e me acabo em lágrimas, pra ver se elas expulsam essa dor infindável. Não sofro pela perda dele, mas pelo orgulho ferido, abatido, morto e enterrado. Quer saber? Um pouco de mim também morreu nesse dia. Aquela ingenuidade não existe mais, aquele sorriso puro de que tudo vai dar certo, ficou numa menina distante, hoje mulher forte, madura e blá, blá, blá. Por que a gente cresce? E por que dói tanto? Minha cara está no chão, destroçada. Minha vida não será mais a mesma, mas vou me recuperar, eu sei. Nada que um porre não resolva.

O cansaço me venceu. Olhei o celular umas 12 vezes até decidir que não iria ligar apenas para xingá-lo. Tenho que virar essa página. Me convencer de que nem todo mundo faz aquilo que você acha certo. Cada um tem a sua consciência e é responsável pelas consequências de seus atos. Eu sei, pareço um livro de auto-ajuda ambulante, mas é somente nesses conceitos sentimentais que me apego. Preciso de um estímulo pra viver e, nesse momento, a maior motivação é gostar de mim. Vou superar, mas não vou entender.

Dei carinho, cuidados, sexo e meu travesseiro. Precisa mais? Ofereci compreensão, cafunés, surpresas românticas e lingeries sensuais. Resultado: fui corna. Queria enxergá-lo agora, nesse momento e dizer o que meu peito grita: “Vai se fuder, seu filho da puta!”

Certamente eu iria me sentir bem melhor.

Um comentário no “DECEPÇÃO

  1. Pelo que entendi… o sujeito transava com uma lavadeira doméstica ou com a própria mãe. Pô, Chicória, que machismo hein?

    E a palavra "corno" e principalmene "corna" é uma coisa beeeeeeem feia, Seu Chico! Um julgamento que não combina com um cronista. Tá aprecendo matéria da Record apresentada por aquele tal de Motta.

    Adoro tuas crônicas, mas acho que tu anda meio bunda-mole, jogando pra torcida, no bom sentido.

    Bj
    Lucia

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