Sexo, Amor & Crônicas

CRISE DOS 30

crise-dos-30

De onde eu vim? Pra onde eu vou? Pareço estar no divisor de águas da minha vida, na linha do equador do meu mundo. Chego em casa após mais um dia cheio, tiro a maquiagem e a armadura. Desabafo com o espelho e me consolo com o chuveiro. Até converso com ele. Na taça de vinho estão as preocupações e meus desejos. E tanto os problemas, quanto as vontades, aumentam a cada gole.

Não tenho certeza se tudo o que fiz foi certo. Nem ao menos sei se o que faço agora é o correto. Me envolvo com caras e bocas e o que eu ganho são nucas indo embora. Vou para a festa com as amigas, dou risada, aproveito o flerte, afinal eu sou bonita e gostosa quando quero e a beleza está na atitude, não na geografia física. Mas após algumas horas, um leve desconforto toma conta de mim. Eu não queria estar ali. Eu lembro de baladas na cidade que minhas colegas de 20 e poucos anos sequer ouviram falar. E quando mergulho na noite, geralmente fico à deriva, sem me encontrar.

Então eu penso que aquele carinha almofadinha que me leva pra sair de vez em quando poderia me salvar desse calabouço de dúvidas. O problema é que eu faço força pra pensar nele, mas sou interrompida, pois não se passam mais do que 15 minutos sem eu receber uma mensagem no celular. Não, definitivamente não gosto de almofadas. Prefiro um fogo de chão. Queima rápido, mas é mais intenso.

E se eu tivesse ficado com o meu primeiro namorado? Acho que eu estaria gorda e possivelmente com filhos. Putz, como eu queria ser mãe agora. Sim, nesse momento, aqui, agora, mas sem gravidez e nem pai pra atrapalhar. Mas uma mão masculina faz falta não é? Que saudade do meu terceiro namorado, aquele sim era pra casar, mas eu gostava mesmo era do quarto. Pena que era um canalha, mas me fazia tão feliz. Esse último? Não lembro o número dele no ranking, era legalzinho, mas faltava algo, tipo paixão, sabe? Nossa, como eu preciso me apaixonar.

No trabalho eu me sinto realizada, mas sempre me pergunto se não poderia estar melhor. Afinal, depois de tanto tempo me descobrindo, pegando ônibus, estudando e trabalhando ao mesmo tempo, sinto que consegui aquilo que eu queria. Tá, minha mãe também, mas ela me convenceu que era a coisa certa a fazer. E se eu tivesse decidido por mim, estaria melhor ou pior?

Sempre fui taxada de forte, determinada, às vezes até arrogante. Quem me conhece sabe, que, ao invés de uma leoa, no fundo mesmo sou uma gatinha manhosa. Como estou sempre olhando pra cima, não enxergo os obstáculos. Mas também ignoro as flores. E nesse caminho de construção da minha história, sinto que cheguei num lugar bonito, fértil, promissor. É hora de montar o acampamento. Será? Mas e o que tem atrás daquela montanha? Ah, esqueci de dizer, ser inquieta é outra característica minha. Não desisto fácil de encontrar minha felicidade, mesmo que eu tenha que andar um pouco mais.

Nossa, já estou há 35 minutos no banho, hora de me arrumar que as meninas estão esperando. Hoje é a festa da Tequila.

6 comentários no “CRISE DOS 30

  1. 30 anos é o auge da maturidade…da construção do futuro,do casamento, da formação familiar.

    “É importante ter confiança na própria capacidade e não se deixar imobilizar pelas dúvidas e pela cobrança excessiva.O resultado disso é sabedoria, algo fundamental para a aproveitar a vida que, afinal de contas, está apenas começando."diz Maria Adelaide.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *