Quarta do Sofá, Sexo, Amor & Crônicas

CONCHINHA

 

Dormir ao lado da pessoa amada é o mesmo que repousar a alma, ninar o coração. O dia se esvai no toque do outro, a respiração toma o rumo do sossego e os olhos se fecham para que a realidade abra a porta dos sonhos. Balé de pernas e braços, sincronismo do nariz dele com a orelha dela, cheiro de banho tomado e de reconciliação.

Dormir de conchinha é o descanso da relação.
 
Para ele, pode significar a falta de liberdade nos lençóis, porém muitas vezes é o próprio corpo masculino que segue o imã da silhueta dela. Uma curvatura graciosa, posicionando estrategicamente os membros para acomodar o calor do parceiro. Conchinha é o encaixe do sono, enlace da cama, melhor posição sexual pré-coito. Antídoto mais eficaz da disfunção erétil.
 
Para ela, dormir de conchinha representa o carinho notívago, embalar dos sonhos, maior proteção. Os braços do homem cobrindo o corpo da fêmea, garantem que nada irá lhe acontecer nas próximas horas, mesmo que ela não esteja exatamente em seu próprio corpo. A respiração dele na nuca dela, afaga a certeza da presença viril. Não há frio que suporte o calor do corpo dele envolvendo o dela. Não há brigas que não cessem, com o contato epidérmico, ignorando os olhos e a voz. Dormir de conchinha é um culto ao silêncio para escutar a paz do namoro.

O despertar de conchinha retarda a sequência da vida. É uma pausa do mundo para aproveitar aquela sensação vagarosa de degustar o corpo do outro, sem fazer força. Entrelaçamento natural, instintivo, quase animal. O corpo prescinde dos olhos e persegue sua plenitude. A felicidade é composta por pequenos momentos de uma intensa sensação de êxtase e o melhor da vida é que podemos ter isso no começo e ao final de cada dia.

Para isso, basta deitar de conchinha.

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