Amor

CAMINHOS

Estou aqui no táxi olhando pela janela e pensando como cheguei aqui nesse caminho que eu demorei tanto a escolher. A cada carro que passa por mim, a cada túnel que cruzo, a certeza da minha vontade aumenta. Não havia outro lugar onde eu queria estar naquele momento, do que ali indo te encontrar.

Eu sei que você não queria me receber, eu fui um completo idiota nos últimos dias, tentando te magoar pra me iludir. Jogando nas minhas costas o fracasso da nossa história pra não ter que assumir o que sinto.

Parecia mais digno ser covarde.

Eu tentei ficar com outras pessoas, mas não tinha graça não dividir contigo. E até poderia, mas já não me sentia bem com aquela vida dupla de ser teu amigo e ao mesmo tempo me apaixonar por ti. Por que misturamos as coisas, caramba? Oh, sentimento, que hora pra você aparecer.

Você até tentou levar essa amizade colorida por um tempo, embora eu soubesse que também não era confortável pra você. Nós dois estávamos recém solteiros, queríamos curtir a vida, a liberdade repentina pra só depois sossegar de novo. 

Que saco, amor da minha vida, não podia esperar só mais um pouco?

Não é assim que funciona. A gente não programou se envolver, gostar de estar perto o tempo todo, dividir horas do nosso dia em conversas intermináveis pelo WhatsApp.

Uma companhia que eu precisava afastar quando queria tentar esquecer. Sumia. Não dava sinal. Talvez se eu não falasse com ela nos finais de semana – quando optava por outras – eu não me culpasse tanto.

Tolice. Não há nada mais fiel do que o sentimento verdadeiro. E eu não podia mais traí-lo.

Quando eu estava com aquela outra menina no shopping, recebi uma mensagem dela querendo me ver. Olhei para o celular e avistei a criatura menos culpada nessa história toda vindo em minha direção com dois sorvetes nas mãos. Caí em mim. Olhei com a tradução sincera do que meu peito gritava. Foi como se ela entendesse. Não falou nada. Não falamos mais nada, até eu me despedir. Eu não queria estar ali, eu precisava estar com a pessoa pela qual me apaixonei. Ao invés de continuar fugindo, decidi correr pra ela.

O táxi parou em frente ao seu prédio, subi os 6 andares e bati na porta. Ela atendeu de pijama, gripada, contrariada. Entrei e mostrei que tinha ido cuidar dela, levei alguns remédios, o seu chocolate preferido, o refrigerante que mais gosta e um ursinho de pelúcia que ela havia me dado, caso a minha presença fosse indesejada. Seu olhar enterneceu, adocicou.

Dormimos juntos, abraçados e minhas dúvidas se tornaram convicções. Nossa amizade virou felicidade de um jeito que não esperávamos. O amor tem desses desatinos de brincar com o destino.

Que caminho lindo esse afinal, no rumo da tua casa, em direção ao teu coração.