Sexo, Amor & Crônicas

AMOR AMIGO

amor-amigo

Te quero e você não percebe. Às vezes acho que nem eu percebo. É tão familiar a tua presença, teu abraço é tão confortável, sinto teu colo como meu lar. Ninguém me conhece como você. Brincamos que jamais poderíamos nos envolver, pois sabemos demais a nosso respeito. Será? Teus sinais me confundem, será que você pensa o mesmo que eu? Será que eu penso o mesmo que você? O que será que eu penso, afinal?

Só você me atende nas madrugadas depois de eu tomar um “pé” do ficante. Só você me entende no meu mau humor matinal. Você me faz rir. Sem querer, seca minhas lágrimas. Nem preciso dizer nada e lá vai você dizer que eu sou uma boba e, que se o cara não sabe o valor das minhas covinhas, ele não me merece. Aí eu dou risada e deito no travesseiro pensando no dia em que vou encontrar alguém que me faça dormir com esse sorriso no rosto.

Quando estamos no bar, entre amigos e olho aquele cara bonitinho, imediatamente nossos olhares se cruzam e eu leio teu pensamento me dizendo: “não vai que é fria”. Nem preciso responder, apenas sorrio e você entende que eu quero arriscar. Alguns dias depois você não pronuncia a implacável frase: “eu te avisei”. Apenas me dá teu ombro, teu carinho e um zelo que eu nunca tive.

A amizade é um amor disfarçado, carinho escancarado, linha tênue entre segurança e paixão.  Ficar com um amigo é mais perigoso do que se jogar sem paraquedas. É um salto para o desconhecido. O beijo pode chocar, a mão travar, o coração parar. Ou pulsar.

Arrisquei. Como sempre faço, aliás. Poucos minutos e o tempo já era nosso cúmplice. Pulamos os degraus da falta de intimidade, da vergonha. É como se fosse nosso sétimo encontro, sabe? Aquele momento em que não há mais pudor e o que restou foi apenas vontade. Tudo se encaixa. Até meu suor combina com o teu. Foi mágico, intenso, viril. No dia seguinte, porém, acordei com uma sensação estranha. O lençol era pouco para me cobrir. Meu corpo virou pudico, refém das roupas. O espelho virou inimigo e meu hálito tinha um gosto ruim, de despedida.

Ao sair na rua, peguei o telefone e liguei para o meu melhor amigo. Durante a chamada perturbadora, baixei o braço, olhei para o visor e percebi que eu acabara de fazer uma escolha. Naquela hora eu entendi que a paixão deve vir antes da amizade, nunca depois. Um casal que se apaixona, se conhece aos poucos e então descobre uma linda parceria, tem vida longa na relação. Amigos podem até se tornar um casal, mas precisarão superar a inicial barreira do medo da entrega. Tentar apagar o banco de dados que cada um tem do outro.

Foi preciso admitir que estamos trocando de identidade e recomeçando a união, mas agora do outro lado do balcão. Éramos parceiros, estávamos lado a lado. Agora, estamos frente a frente, competindo pela felicidade do outro. Lembre-se: depois da “friendzone”, muito cuidado. Amor amigo é coisa rara, tal como um amigo sincero, tal como um amor de verdade.

4 comentários no “AMOR AMIGO

  1. Algo em vc me lembra Martha Medeiros. Talvez a sequencia das batidas
    das palavras. Sim, palavras batem, pulsam como um espesso sangue deslizante.
    Conheci seu blog hoje e estou in love. Vc manda bem, MENINA! Nao entendi ainda
    o porquê se se esconder atras de um blaser.
    Abrco
    Luiza

  2. "Naquela hora eu entendi que a paixão deve vir antes da amizade, nunca depois." nossa chico de todos textos seus q li este é o mais PERFEITO me encontrei nele, eu sou completamente apaixonada pelo meu melhor amigo, ate ja ficamos, mas nao deu certo, i a amizadade… ha a amizade nunca mais sera a mesma.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *