Amor

AMOR À DISTÂNCIA

Uma espera que machuca, não cessa, angustia. Não importa o tempo da relação, nem a intensidade. Namorar alguém que está longe exige um enorme equilíbrio emocional. Coisa que namorados ainda não tem.

No casamento, o contrato ajuda a estabelecer um vínculo, uma linha imaginária que prenda os dois, mesmo com quilômetros separando os corpos durante um determinado período. Geralmente a carreira é prioridade e o amor pode esperar. O difícil é os dois pensarem da mesma forma. Uma queda de braço entre razão e emoção, riscos e maturidade. Nesses casos, o impulso –  sempre atrapalhado – acaba provocando os maiores erros.

Normalmente não encontramos a pessoa amada durante o dia, devido aos compromissos de cada um, mas imaginar que o motivo dos nossos pensamentos estará intocável ao anoitecer, é significado de desespero. E triste ter alguém que não esteja ao seu lado no adormecer. É ruim desabafar com o travesseiro e abraçar a cama, na falta da companhia que você deveria ter. É uma injustiça divina. Pessoas que se gostam devem estar juntas, jamais separadas. Dependendo do tempo que isso perdura, o sentimento acaba sufocando. Não há amor que resista à ausência do cheiro.

Amor à distância é praticamente um namoro virtual. O computador se torna o portal da esperança. Ele é o responsável por abrir uma janela que permita o encontro dos rostos. Um misto de espanto e agradecimento à tecnologia, onde a dor é amenizada pelo sorriso, pela roupa nova que ela comprou, pelo livro que está lendo, pelo cabelo mais curto, pelo bronzeado de caminhadas na rua, pelo vinho aberto na mesa – aquele que você deu de presente.

O celular é um amigo inseparável durante o dia. Cada mensagem é uma maneira da presença se manifestar. Em palavras vazias e sem contexto, ou cheias de amor. Não sei o que mais dói. O bom mesmo é ouvir a voz. Enquanto aquele contato permanece enchendo os ouvidos da alma, há um alívio efêmero, provocando risadas e imaginando que estamos bem próximos. No desligar, é como se voltássemos para um mundo cruel e real, onde não sou merecedor de uma felicidade regular, onde sou castigado pelo destino e não tenho direito de ter quem eu quero por perto.

O reencontro é estranho. A saudade é substituída pela redescoberta da pele. São necessários alguns minutos para que os corpos se reconheçam, para a química reacender. Se o tempo for exíguo, tudo ganha uma intensidade maior. É quase uma obsessão por parar o relógio, saborear os minutos, para que a vida não seja interrompida por uma nova despedida.

Amor à distancia só funciona quando o pensamento de ambos é unilateral. Ao invés de um flerte, namoro ou compromisso, um encara o outro como um projeto de vida. Nesses casos, todo o sacrifício será recompensado. O ciúme será perdoado e a saudade será amenizada, pois há uma certeza interior de que tudo terá valido a pena. Amor à distância precisa necessariamente da proximidade dos sentimentos.