Amor

ABUSO

Não é fácil falar sobre isso, Não é fácil ter que enfrentar esse tipo de coisa. Não é fácil. Mas é preciso!

Não quero falar sobre o machismo, embora seja a origem de tudo. Me refiro ao abuso mesmo, algo intrínseco em muitos relacionamentos dotados de uma cultura de opressão masculina que se mantém até hoje. Por vezes silencioso como um câncer, vai se espalhando sem que você perceba, até que te sufoca de tal forma que fica complicado até mesmo respirar.

Muitas relações possuem o comportamento abusivo estampado na cara. Aquele movimento social em que a mulher mais parece uma empregada do que uma parceira de vida. Humilhações, uma exposição indevida, embaraços que constrangem a todos, menos o infrator. Isso sem falar na violência doméstica, escondida aos olhos de todos, mas presente nas marcas na pele e na alma de quem sofre calada por anos um acinte desses.

Mas como começa?

Muitas mulheres vítimas de abuso nem percebem o quanto são diminuídas diariamente dentro da própria casa, da própria vida. Não é só fisicamente que o abuso ocorre. Está na exigência por um prato de comida quando chega em casa, na roupa separada para o banho, na cara feia com seu jeito de falar, de se portar. Está no reclamar do quanto você bebe, das opiniões que você emite, na permissão restritiva, como se ele tivesse o direito de permitir algo. Ele pode sair com os amigos, mas fica bravo quando você sugere fazer o mesmo. Aos poucos, para evitar discussões você acata. E se anula.

A partir dessa construção cotidiana de ordens e gritos, vem o tão temido MEDO. A chamada síndrome de Estocolmo não explica apenas casos envolvendo crimes e sequestros. Está no dia a dia. De mulheres submissas não por escolha, mas por uma manipulação psicológica de que ela não é ninguém e será nada se não tiver esse cara ao seu lado lhe mandando o que fazer ou como viver. É uma tortura mental, uma prisão onde muitas mulheres tentam escapar. Outras não conseguem. A maioria nem se dá conta.

Felizmente vivemos tempos modernos, mas ainda pré-históricos perto do mundo ideal que procuramos. Precisamos seguir falando a respeito, mudando conceitos e evoluindo como espécie, onde todos tem direitos e sua liberdade para amar, ser amado e caminhar por conta. Ninguém deve ficar com quem não quer, ser boicotado dentro dos próprios desejos. Somos seres livres e estar numa relação saudável nos faz mais feliz no singular também.

O abuso é mais silencioso do que imaginamos. Não se cale!