Sexo, Amor & Crônicas

A NOITE

 

noite
Tenho um amor não correspondido pela noite. Uma verdadeira paixão platônica. Mas a culpa é minha, sempre coloquei muitas expectativas no badalar da meia-noite. Sempre busquei um atmosfera diferente, uma magia notívaga, tal como um conto de fadas.

O crepúsculo é como um sinal. A despedida do sol avisa: tudo pode acontecer. A partir dali, a fantasia coloca sua roupa, suas joias e seu perfume. Pronto, ela está pronta para te levar. As horas vão passando e o coração batendo mais forte. Telefones, convites, chamadas, possibilidades. Será que ele vai? Ela ainda está com aquele cara? É hoje que eu encontro a minha cara metade? Malditas perguntas sem respostas. Não sei esperar, não me contento com músicas embriagantes ou companhias sem álcool.

As pessoas passam por mim na noite e eu tento adivinhar o que está por trás daquele vestido preto, daquele casaco gabardine, daquela armadura de autossuficiência. Eu espero tudo da noite. Como se a lua pudesse me dar a felicidade que o sol não me deu. A cada sorriso noturno, um incentivo, a cada olhar, uma motivação para o ego. As carcaças da noite não são as mesmas do dia, mas eu não me importo. Quero é aproveitar o que as pessoas mostram ter de melhor. Não há defeitos na noite. O dia seguinte poderá mostrar alguém diferente de quem você conheceu. Mas o pensamento da noite é que o dia seguinte talvez nem aconteça.

A cada batida da música, um entorpecente de alegria. Naquelas horas iniciais, me abraço com os amigos, grito alto e danço como se não estivesse sendo observado. Naquele momento, a noite é minha melhor amiga. Ela está me dando toda a paz que eu procurei antes do anoitecer. O problema vem na sequência. As horas passando e a alvorada já vai tomando forma. As músicas que tocam agora me angustiam. Começa uma contagem regressiva, a cada pessoa que cruza meu caminho. Olho desnorteado para os lados e não consigo mais aproveitar o embalo, as nuances da noite, aquela batata frita com cheddar. Nada mais me importa.

Volto pra casa com a música do fracasso na cabeça. Travei mais uma batalha com a noite e perdi. Só que essa é uma briga egoísta, uma luta desigual. A noite não quer me enfrentar, eu desafio a mim mesmo e quer saber? Cansei de perder. As minhas vitórias geralmente aconteceram quando abracei a noite desde o início, a convidei para dançar e ela me proporcionou aventuras fantásticas. Por isso, não espero mais nada da noite. Apenas vivo e danço a música que ela tocar e não saber o setlist é muito mais divertido.

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